Autores Dr. Vasco Varela (Médico USF Descobertas);
Dr.ª Cláudia Paulo (Interna Formação Geral – CHLO)
O cancro colorretal é, atualmente, o 2º cancro com maior incidência (número de novos casos por ano) e mortalidade em Portugal.
O termo refere-se ao cancro que envolve o intestino grosso. Este é constituído por 2 porções: o cólon, que corresponde à porção inicial e o reto que corresponde à porção final.
Na grande maioria dos casos, o cancro colorretal desenvolve-se a partir de pólipos que crescem na parede interna do intestino. Quando detetados precocemente, estes pólipos podem ser removidos antes de poderem vir a tornar-se malignos. No caso de o pólipo já ter malignizado, a sua remoção antes que ocorra invasão de outras partes do intestino ou do corpo, pode curar o doente, sem necessidade de outros tratamentos.
O facto do cancro colorretal ter elevadas taxas de incidência e mortalidade, de ter pólipos pré-malignos que podem ser removidos atempadamente e de existir tratamento curativo, levou à possibilidade de existir um programa de rastreio. Os rastreios são testes simples e fiáveis que permitem identificar lesões percursoras de doenças malignas ou estadios iniciais da doença, como os pólipos do intestino. Destinam-se a populações saudáveis, sem sintomas.
O rastreio do cancro colorretal está recomendado pela Direção Geral de Saúde (DGS) para indivíduos entre os 50 e os 74 anos e tem como objetivos principais:
Os exames recomendados são:
Colonoscopia total – consiste na visualização da totalidade da parede interna do intestino grosso através da introdução de um tubo, o colonoscópio, pelo ânus. É considerado o melhor exame para a detecção de pólipos e outras alterações, permitindo ainda efectuar biópsias e remover os mesmos. Para a sua realização é necessário fazer uma preparação intestinal, que vai permitir que o intestino esteja limpo e sejam visíveis quaisquer alterações. Existe um pequeno risco de complicações, como perfuração ou sangramento. O exame pode ser realizado sob sedação, minimizando o desconforto. Uma colonoscopia negativa deve ser repetida em 10 anos.
Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSOFs) – consiste na deteção de componentes do sangue em 2 amostras de fezes colhidas em dias separados. As amostras podem ser colhidas e casa e, caso o resultado seja negativo, deve ser repetido de 2 em 2 anos. A taxa de deteção é menor em relação à colonoscopia, pois nem todos os pólipos sangram, sendo também menos específica, pois existem outras causas de sangramento, como é o caso da doença hemorroidária. Uma PSOFs positiva implica a realização de colonoscopia.
Apesar de não haver um exame preferido em relação a outro, a DGS recomenda primariamente a realização de PSOFs, um exame facilmente disponível, ao contrário da colonoscopia.
Os utentes com história pessoal ou familiar de cancro colorretal, síndromes hereditárias de cancro colorretal ou doença inflamatória intestinal seguem um programa de vigilância específico, diferente daquele aqui apresentado.
Segundo o Relatório do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, pretende-se que toda a população portuguesa seja abrangida por este rastreio até 2020.
Na USF Descobertas todos os médicos estão sensibilizados para esta temática e seguem as recomendações vigentes, propondo o rastreio aos seus utentes, quando indicado, e discutindo qual o método mais adequado para cada caso, individualmente.
Em caso de dúvidas acerca do cancro colorretal e/ou do seu rastreio, não hesite em contactar o seu médico de família.
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